O principal desafio é o risco aumentado de complicações relacionadas à doença
A longevidade é uma realidade no Brasil. No ano passado, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais atingiu 15,1% da população brasileira, totalizando 30,6 milhões de indivíduos nessa faixa etária. E o diabetes tem se tornado cada vez mais prevalente entre esse grupo, especialmente o tipo 2, o qual é responsável pela maioria dos casos. Esse aumento está, em parte, relacionado ao estilo de vida sedentário, dieta inadequada e fatores genéticos associados ao envelhecimento.
Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE em 2019, 17% das pessoas com diabetes no Brasil têm entre 60 e 64 anos. Essa proporção aumenta para 21,9% para aqueles entre 65 e 74 anos, e as pessoas com mais de 75 anos representam 21,1% da população idosa com diabetes.
O diabetes tipo 2 pode se desenvolver de forma assintomática, mas alguns indicativos como aumento da fome, maior frequência urinária, sede constante, perda de peso, fraqueza e fadiga podem alertar sobre essa condição crônica. Realizar testes de glicemia é de extrema importância para o diagnóstico precoce, permitindo o início do tratamento adequado, incluindo mudanças no estilo de vida.
Um dos principais desafios do diabetes em pessoas idosas é o risco aumentado de complicações relacionadas à doença. Entre essas complicações estão os problemas cardiovasculares, como hipertensão arterial, doença coronariana e acidente vascular cerebral (AVC). A neuropatia diabética também é uma preocupação, pois pode causar danos nos nervos e levar a sensações de formigamento, dormência e perda de sensibilidade nos pés e mãos, aumentando o risco de lesões e infecções. Outras complicações incluem a retinopatia diabética, que pode afetar os vasos sanguíneos dos olhos, resultando em problemas de visão e até mesmo cegueira, doença renal crônica e o pé diabético, que compromete a circulação e a sensibilidade nos pés, podendo levar ao desenvolvimento de úlceras, infecções e até amputações.
Existem, no entanto, medidas que podem ser adotadas para reduzir o risco desses problemas. De acordo com a Dra. Karine Risério, endocrinologista da plataforma Glic, é fundamental que as pessoas com diabetes adotem um estilo de vida saudável. Isso inclui monitorar a glicemia constantemente, manter uma dieta equilibrada rica em vegetais, verduras, frutas, grãos integrais e proteínas magras, controlar o peso e praticar atividade física regularmente. “Além disso, é importante promover a conscientização sobre as complicações do diabetes entre as próprias pessoas idosas com diabetes, familiares e cuidadores, para melhorar a adesão aos cuidados e tratamentos”, ressalta.
Dados do Atlas do Diabetes da Federação Internacional de Diabetes (IDF) apontam que o Brasil possui atualmente 16,8 milhões de pessoas com todos os tipos de diabetes, e a estimativa é que esse número chegue a 21,5 milhões em 2030. Dessa forma, o suporte educacional é essencial para reduzir os gastos com tratamentos mais complexos e melhorar a qualidade de vida das pessoas que convivem com essa condição crônica, que muitas vezes envolve despesas com insulina, medicamentos, agulhas, seringas, tiras de teste de glicose, dispositivos e outros suprimentos.




