Uma pesquisa desenvolvida na Columbia University, nos Estados Unidos, aponta que o consumo diário de flavonóides pode melhorar a memória relacionada ao hipocampo de idosos que se alimentam mal. A ciência tem investigado nos últimos anos como alguns nutrientes são importantes para o envelhecimento do corpo e do cérebro.
Publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Science, este estudo teve a participação de 3.562 homens e mulheres relativamente saudáveis, com altos níveis de escolaridade, em sua maioria da etnia branca e com idade média de 71 anos.
O que é o envelhecimento cognitivo
Este envelhecimento se caracteriza pela redução de habilidades cognitivas não causadas por problemas neurodegenerativos, como as doenças de Parkinson e Alzheimer. Esse processo afeta basicamente o hipocampo (área cerebral relacionada à função de memória) e o córtex pré-frontal (ligado à atenção).
Pesquisas anteriores associaram flavonóides e um envelhecimento cognitivo mais saudável. Esses nutrientes são encontrados em alimentos como peras, bagas, maçãs e grãos de cacau. Segundo as evidências demonstradas pela ciência até agora, a ingestão desses nutrientes pode estar associada à “memória dependente do hipocampo”.
Os participantes da pesquisa foram aleatoriamente selecionados para consumir diariamente um extrato de cacau contendo flavanol (80 mg de epicatequina e 500 mg de flavonóides isolados do cacau) ou placebo. Os resultados primários após um ano foram que os participantes dos dois grupos apresentaram uma curva de aprendizagem típica, com melhoras semelhantes.
Resultados
Porém, os resultados foram bem diferentes nos participantes que mantinham uma alimentação pouco saudável no início do estudo. Os pesquisadores dividiram os participantes de acordo com a qualidade da alimentação individual, avaliada por meio do Índice de Alimentação Saudável (IAS).
A intervenção com flavonóides melhorou o desempenho dos participantes com alimentação menos saudável no que se refere à memória dependente do hipocampo, mas não à memória relacionada ao córtex pré-frontal. Quando esses participantes consumiram o suplemento, os níveis de flavonóides voltaram ao normal e a memória deles foi recuperada. Não houve a mesma melhora entre os participantes com alimentação de mais qualidade no início do estudo.
Vale pontuar que este estudo foi financiado por uma bolsa de pesquisa fornecida pela Mars Edge, parte da Mars Incorporated, empresa envolvida em pesquisas com flavonóides e atividades comerciais relacionadas a essas substâncias. A empresa forneceu suporte de infraestrutura, comprimidos e embalagens para o estudo.
Segundo a ciência, até agora não há nenhum alimento, bebida, vitamina, ingrediente ou suplemento comprovadamente capaz de prevenir, tratar ou curar demências ou melhorar a função cognitiva e a saúde cerebral. Por isso, é recomendado conversar e manter o acompanhamento com profissionais de saúde qualificados e investigar possíveis efeitos colaterais de suplementação alimentar.




